O mundo do cosplay viveu um episódio sombrio neste fim de semana na China. Imagens e vídeos que circulam no Douyin (o TikTok chinês) mostram um ato de agressão coletiva contra uma jovem na província de Henan. O motivo? Ela estava vestida como um personagem do mangá My Hero Academia (Boku no Hero Academia).
O caso ocorreu no dia 11 de janeiro (sábado), no shopping "Great Shanghai City". Segundo os relatos, a jovem foi interceptada, perseguida e cercada por uma multidão hostil.
O Incidente: Humilhação Pública e Fogo
O que começou com insultos verbais rapidamente escalou para violência física. Em um ato de fervor nacionalista, os agressores começaram a cantar a "Marcha dos Voluntários" (o hino nacional da China) enquanto acuavam a garota.
A situação atingiu o ponto crítico quando um homem arrancou bruscamente a peruca da cosplayer e ateou fogo nela ali mesmo, na frente de todos.
Após o ato, o grupo posou para fotos comemorativas segurando uma bandeira da China, tratando a agressão como um "ato heroico". Relatos indicam que, quando a cosplayer e seus dois acompanhantes tentaram fugir, o grupo bloqueou o caminho, impedindo-os de entrar em um veículo enquanto continuavam os cânticos.
1月11日,河南大上海城。一名女生因COS《我的英雄学院》角色,在商场内遭到一群人围追堵截。多人将其与两名同行的女生团团围住,一边高唱《义勇军进行曲》,并对其进行言语羞辱。期间,一名男子粗暴地将女生的假发扯下并当场焚烧,随后施暴者们强迫该女生一起唱《义勇军进行曲》。… pic.twitter.com/7TP2IUjIDY
— 李老师不是你老师 (@whyyoutouzhele) January 11, 2026
Por que tanto ódio contra Boku no Hero?
Para entender a fúria da multidão, é preciso olhar para o passado recente. A obra de Kohei Horikoshi é persona non grata em setores radicais da China há alguns anos.
A controvérsia explodiu quando foi revelado que o nome original de um vilão (Dr. Ujiko) fazia referência a "Maruta", um termo despectivo historicamente vinculado às vítimas de experimentação humana realizadas pelo Esquadrão 731 do exército japonês durante a Segunda Guerra Mundial.
Mesmo após pedidos de desculpas do autor e da editora Shueisha, e da alteração do nome, o estigma de que a obra é um "insulto à China" persiste, transformando fãs da série em alvos.
O Contexto da Nova Lei de 2026
Este ataque não acontece no vácuo. O clima está tenso desde o dia 1º de janeiro de 2026, quando entrou em vigor na China a "Lei de Sanções de Administração de Segurança Pública Revisada".
Esta lei proíbe o uso de roupas em locais públicos que "glorifiquem guerras de invasão". Embora, tecnicamente, um cosplay de anime não se enquadre legalmente nessa proibição, a nova legislação acabou empoderando grupos nacionalistas a agirem como "fiscais" nas ruas.
Nas redes sociais chinesas, a opinião está dividida. Enquanto alguns patriotas aplaudem a ação como defesa da honra nacional, outros criticam duramente a violência, questionando: "Em que isso se diferencia de bullying ou delinquência comum?"
Fica o alerta para quem pretende viajar para a Ásia e praticar o hobby: o clima político pode transformar uma brincadeira em risco real.
Fonte: Kudasai
