Quando se fala em Naoki Urasawa, a trindade sagrada vem quase automaticamente à mente: o suspense psicológico perfeito de Monster, a distopia sci-fi de Pluto e a complexidade labiríntica de 20th Century Boys.
É quase uma heresia dizer que existe algo melhor que a saga do Dr. Tenma ou a investigação do robô Gesicht. Mas, para quem mergulha fundo na bibliografia do mestre, existe uma obra que corre por fora e, silenciosamente, reivindica o trono de "Melhor Trabalho". Estamos falando de Billy Bat.
Publicado originalmente entre 2008 e 2016 e chegando recentemente às bancas brasileiras pela Panini Comics, este mangá é, talvez, a obra mais ousada e "meta" da carreira de Urasawa.
A Premisa: Um Plágio? Não, uma Profecia.
A história começa de forma enganosamente simples (uma marca registrada do autor). Estamos em 1949 e acompanhamos Kevin Yamagata, um quadrinista nipo-americano que faz sucesso desenhando as aventuras de um morcego detetive chamado Billy Bat.
Tudo muda quando Kevin ouve dizer que seu protagonista é idêntico a um personagem que já existia no Japão. Temendo ter cometido plágio inconsciente, ele viaja para a terra de seus ancestrais para pedir permissão ao criador original.
O que ele encontra, porém, não é um processo de direitos autorais, mas uma conspiração que atravessa milênios. O "Morcego" não é apenas um desenho; é uma entidade, um símbolo antigo que aparece em pergaminhos, cavernas pré-históricas e momentos cruciais da humanidade.
Por que Billy Bat é tão genial?
Se Monster discutia a dualidade do bem e do mal, e 20th Century Boys falava sobre seitas e o poder das memórias de infância, Billy Bat é a síntese de tudo isso, elevada à décima potência.
- Meta-Linguagem: O mangá coloca o ato de "desenhar quadrinhos" como um superpoder. O Morcego (que se divide entre o Branco e o Preto) parece ditar o futuro para aqueles que o desenham.
- História Real e Ficção: Urasawa brinca com a história mundial de um jeito que faria Forrest Gump sentir inveja. A trama envolve figuras históricas reais — de Lee Harvey Oswald a Albert Einstein (sim, o físico aparece de forma brilhante) — inserindo o mistério do morcego nos bastidores dos maiores eventos do século XX.
- Maturidade: É visível que Billy Bat foi escrito por um Urasawa no auge de sua técnica. Ele amarra pontas soltas com uma maestria que, convenhamos, faltou um pouco no final de 20th Century Boys.
O Veredito
Dizer que Billy Bat é melhor que Monster é polêmico? Sim. Monster é uma aula de roteiro fechado e tensão. Mas Billy Bat é Urasawa solto, ambicioso e brincando com o próprio conceito de criação artística.
Agora que a Panini está lançando as edições no Brasil, é a chance perfeita para você tirar a prova. Se você gosta de teorias da conspiração, mistérios históricos e aquela sensação de que "tudo está conectado", o Morcego vai te pegar.
Fonte: IGN Brasil

