KADOKAWA bate o martelo: "Parem de tentar agradar o Ocidente e foquem no Japão"

A tendência é inegável: os líderes da indústria de anime estão fechando o cerco em torno de uma ideia central. Após declarações recentes de nomes como Hideaki Anno e do diretor de Sword Art Online, agora foi a vez de Takeshi Natsuno, presidente e CEO da gigante editorial KADOKAWA, enviar uma mensagem contundente ao mercado.

  • A diretriz é clara: parem de tentar agradar o público ocidental e concentrem-se em fazer o público japonês feliz.

"Se funciona aqui, funciona lá"

Em entrevista ao jornal econômico Nikkei sobre a expansão internacional da companhia neste ano de 2026, Natsuno elogiou a diversidade narrativa de seu país e desaconselhou fortemente o desenvolvimento de produtos pensando no mercado estrangeiro.

"Se você cria conteúdo que vende no Japão, ele venderá no exterior" — sentenciou o executivo.

Para Natsuno, a tentativa de moldar a história para gostos globais dilui o produto. Segundo ele, obras únicas só nascem quando não são comercializadas com a mentalidade de "vamos fazer um mangá que venda globalmente". Para a KADOKAWA, a "autenticidade japonesa" é o verdadeiro produto de exportação, e comprometer a qualidade para buscar aceitação externa é um erro estratégico.

Contradições Internas na Diretoria

Curiosamente, estas declarações contrastam diretamente com a postura de Daijo Kudo, Chefe de Anime da própria KADOKAWA. Em agosto de 2025, Kudo havia sugerido que a empresa precisava produzir animes com "temas que também agradassem ao público ocidental".

Essa divergência pública de opiniões entre o CEO (Natsuno) e o Chefe de Animação (Kudo) reflete o debate vivo dentro das grandes corporações de mídia: adaptar-se para ganhar mercado ou impor sua cultura e ganhar pela originalidade?

Estratégia de Negócios: Controle de Royalties

Além da questão criativa, Natsuno enfatizou uma mudança na estrutura financeira da empresa. O objetivo agora é que as empresas japonesas estabeleçam suas próprias subsidiárias no exterior (mencionando até o Oriente Médio como candidato).

A meta é parar de perder dinheiro com royalties baixos pagos por licenciantes externos e intermediários. Ao assumir o controle total sobre a distribuição, a KADOKAWA garante não apenas maior lucro, mas também pureza total no conteúdo entregue ao consumidor final, sem censuras ou alterações locais indesejadas.

Você concorda com o CEO? O anime perderia sua magia se tentasse imitar as produções de Hollywood?

Vicente Neto

Sou redator de notícias, estudante de Sistemas de Informação na UFC e apaixonado por tecnologia e cultura geek. Desde os 15 anos, quando assisti ao meu primeiro anime (Sword Art Online), mergulhei no universo dos animes, mangás e games. Além de programar, também me aventuro como designer gráfico e editor de vídeos nas horas vagas. facebook instagram x-twitter linkedin

Postagem Anterior Próxima Postagem

نموذج الاتصال