O que deveria ser um momento épico de cosplay virou o centro de uma tempestade diplomática. Durante a Worldline Convention em Chengdu, China, um cosplayer de Death Note decidiu cruzar a linha entre ficção e realidade e o resultado foi um escândalo internacional que dividiu a comunidade geek.
O Incidente no Palco
Tudo aconteceu durante uma apresentação de três cosplayers caracterizados como Light Yagami, L e Misa Amane. A performance seguia a mecânica clássica do anime: Light pega a cadernada sobrenatural, pega a caneta e escreve um nome. Só que, desta vez, o nome escrito foi o de Sanae Takaichi, Ministra de Estado para a Segurança Econômica do Japão.
A reação do público? Aplausos estrondosos e vibração, como se estivessem celebrando uma vitória esportiva. O vídeo, que já acumula mais de 1,1 milhão de visualizações, mostra a plateia aplaudindo a "execução" simbólica da política japonesa.
Durante una convención en CHINA, un cosplayer de Light Yagami escribió el nombre de la Ministra japonesa Sanae Takaichi en la Death Note, provocando que la multitud estallara en aplausos celebrando este acto. La ironía de usar cultura japonesa para atacar a sus líderes es...… pic.twitter.com/NnZP85qRdB
— AnimeTrends (@animetrends) February 13, 2026
Quem é Sanae Takaichi e Por Que Tanto Ódio?
Para entender a reação explosiva, é preciso conhecer o contexto político. Sanae Takaichi é conhecida por posicionamentos de "mão dura" e tem histórico de atritos com o governo chinês, especialmente por defender publicamente Taiwan. Isso a tornou alvo frequente de campanhas de ódio online na China, incluindo boicotes a produtos japoneses.
O problema? A hipocrisia gritante do ato. Os cosplayers e o público estavam em um evento celebrando anime e mangá — produtos da cultura japonesa — enquanto usavam essa mesma cultura para atacar líderes do Japão com ódio político.
A Ironia de Usar Death Note Para Isso
A escolha da obra torna tudo ainda mais bizarro. Death Note, criada por Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, é justamente uma crítica ao poder absoluto e à justiça vigilante. A série inteira debate por que ninguém deveria jogar de Deus — exatamente o que esse cosplayer fez ao misturar ficção com política real.
Este não é um caso isolado. Recentemente, convenções chinesas começaram a proibir cosplays de My Hero Academia e Detective Conan, considerando-os "inapropriados" devido às tensões geopolíticas. Parece que a relação entre China e Japão está tão conturbada que nem mesmo os otakus conseguem tankar seus hobbies em paz.
Fonte: SomosKudasai
