Se você achava que sua vida amorosa estava parada, espere até ver os números do Japão. Em pleno Valentine's Day (14 de fevereiro), uma nova pesquisa caiu como uma bomba nuclear de realidade sobre o país: o romance no mundo real está, literalmente, entrando em extinção.
Segundo dados recém-publicados pelo Instituto de Pesquisa Meiji Yasuda, uma quantidade absurda de japoneses solteiros simplesmente desistiu. O estudo aponta que 76,3% dos entrevistados não têm namorado(a) e, o mais chocante, não têm interesse algum em buscar um.
Parece que a batalha entre o mundo 3D e o mundo 2D (animes, games e idols) tem um vencedor claro.
Independência vs. Carteira Vazia
Os motivos para essa "greve de namoro" variam conforme o gênero, mas refletem a economia atual.
- As Mulheres: Afirmam categoricamente que "não sentem necessidade" de se casar ou namorar. A independência financeira e o desejo de liberdade falam mais alto.
- Os Homens: A barreira é o dinheiro. Sair para encontros (dates) custa caro. Com a inflação e os salários estagnados, eles preferem gastar os ienes consigo mesmos do que investir em jantares que podem não dar em nada.
A Era do Oshi-katsu
Para a nossa comunidade otaku, aqui está o pulo do gato. O vácuo deixado pelo romance tradicional está sendo preenchido pelo Oshi-katsu.
Esse termo define a cultura de se dedicar fanaticamente a um "Oshi" (seu favorito absoluto), seja uma Idol real, uma Vtuber ou um personagem de anime.
A pesquisa mostrou que a Gen Z japonesa (18 a 28 anos) prefere gastar dinheiro comprando merch, indo a eventos ou mandando superchats para seus ídolos do que em relacionamentos reais. Além disso, 1 em cada 3 jovens admite que prefere pedir conselhos para uma Inteligência Artificial do que para um amigo humano.
Análise rápida:
Esses dados explicam muito sobre a indústria de animes atual. O sucesso estrondoso de obras como Oshi no Ko ou comédias românticas onde o protagonista não precisa se esforçar muito reflete essa sociedade.
O Oshi-katsu oferece algo que o namoro real não dá: segurança emocional garantida (sua Waifu nunca vai te rejeitar) e controle de gastos. É um fenômeno que chamamos de "namoro parassocial". Embora pareça triste para o ocidental, para o jovem japonês sobrecarregado de trabalho, o amor digital é um refúgio seguro e sem dramas. O Japão virou o cenário de Her e Blade Runner antes do resto do mundo.
Fonte: Ryo / Meiji Yasuda


