A poucas horas de sabermos os grandes vencedores da 98ª edição do Oscar, que acontece neste domingo (15), os bastidores da maior premiação do cinema mundial continuam rendendo declarações fortes. O cineasta brasileiro Kleber Mendonça Filho, diretor do aclamado "O Agente Secreto", compartilhou a dimensão do que significa emplacar quatro indicações na cerimônia.
Em entrevista à CNN Brasil, o diretor não poupou palavras para descrever a intensidade do processo, comparando a experiência de chegar à maior premiação de Hollywood com a façanha de "escalar o Everest".
O Topo do Mundo
Para Kleber, a jornada da produção tem sido extraordinária, especialmente por colocar uma obra legitimamente brasileira em um patamar de reconhecimento global. Ele destacou o prestígio gigantesco de ter o longa selecionado pela Academia entre os dez melhores filmes do ano na categoria principal.
"Fazer um filme são muitos elementos que precisam se juntar, funcionar e dar certo. É uma sensação muito forte de ter feito um filme que é brasileiro e que passou no mundo inteiro", explicou o diretor, ressaltando a complexidade de alinhar todas as peças de uma engrenagem cinematográfica desse porte.
Dez Meses de Estrada
O sucesso internacional não caiu do céu; exigiu um esforço de divulgação massivo. O cineasta revelou que está viajando há dez meses ininterruptos para promover "O Agente Secreto" em festivais e eventos pelo mundo.
Deste período, os últimos seis meses foram concentrados exclusivamente nos Estados Unidos, focados na exaustiva — mas recompensadora — campanha para o Oscar. "Os últimos seis meses aqui nos Estados Unidos foram muito intensos e um período na minha vida que eu nunca vou esquecer, foi incrível", revelou.
Análise Rápida
A declaração de Kleber Mendonça Filho escancara uma realidade que muitos fãs de cinema desconhecem: ganhar um Oscar não depende apenas de um roteiro impecável e atuações brilhantes, mas sim de uma campanha de marketing (o famoso "lobby") brutal.
Passar seis meses nos EUA fazendo reuniões, jantares e exibições para os votantes da Academia é o que separa os filmes internacionais esquecidos daqueles que fazem história. A comparação com o Everest é cirúrgica. Ao chegar ao topo com "O Agente Secreto", Kleber e Wagner Moura não apenas consagram suas carreiras, mas abrem um precedente gigantesco e pavimentam a subida para os próximos cineastas brasileiros.
- Imagem: Axelle/Bauer-Griffin
Fonte: CNN Brasil
