A Copa do Mundo 2026 entregou nesta terça-feira (7) dois jogos completamente diferentes em temperatura, mas igualmente carregados de drama e polêmica. No Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, a Argentina virou sobre o Egito de Salah no segundo tempo e venceu por 3 a 2 em uma tarde em que Messi perdeu um pênalti, marcou o gol do empate e ainda deu assistência para a virada — enquanto o banco egípcio explodia com cinco cartões amarelos e um vermelho direto nos acréscimos. Já no BC Place, em Vancouver, Suíça e Colômbia protagonizaram um confronto sonolento que só acordou na prorrogação e nas cobranças de pênaltis, com os suíços vencendo por 4 a 3 e eliminando a equipe de James Rodriguez.
Argentina 3 x 2 Egito — Messi, Salah e o caos nos acréscimos
O jogo em Atlanta começou muito mal para a atual campeã mundial. Logo aos 15 minutos, Yasser Ibrahim subiu mais alto que toda a defesa argentina e cabeceou o cruzamento de Marwan Attia para abrir o placar para o Egito. A resposta argentina veio imediata, porém traumática: aos 18 minutos, o árbitro francês François Letexier marcou pênalti após falta de Haissem Hassan em Tagliafico dentro da área. Lionel Messi foi para a cobrança — e teve a batida defendida pelo goleiro Mostafa Shobeir, que saltou no canto esquerdo e evitou o empate. Shobeir ainda faria ao menos mais três intervenções decisivas no primeiro tempo, incluindo uma espalmada em Julián Álvarez e outra em Rodrigo De Paul.
O segundo tempo começou ainda pior para a Argentina. Aos 12 minutos da etapa, Salah encontrou Mostafa Zico em profundidade após boa jogada de Hassan, e o atacante marcou o segundo gol egípcio. No entanto, o VAR interveio e o árbitro anulou o lance por falta de Marwan Attia na origem da jogada — decisão que gerou enorme revolta no banco de reservas do Egito. Dez minutos depois, aos 22, o gol saiu de qualquer forma: Salah puxou novo contra-ataque, acionou Hassan pela direita, que cruzou para Mostafa Zico finalizar de primeira e fazer 2 a 0.
Com a Argentina em crise, Lionel Scaloni promoveu trocas e o time começou a reagir de forma impressionante. Aos 34 minutos, Messi cobrou escanteio pela direita e Cristian Romero subiu mais alto que a defesa para diminuir de cabeça. Quatro minutos depois, aos 38, o camisa 10 recebeu passe de Montiel na entrada da área e acertou um chute forte de canhota para empatar o jogo. Com o empate no marcador, o Egito tentou prender a bola para forçar a prorrogação — e um erro de passe do próprio Salah nos acréscimos entregou o ataque da virada: Lautaro Martínez cruzou pela direita e Enzo Fernández apareceu para cabecear cruzado no segundo poste, fazendo 3 a 2 aos 47 minutos do segundo tempo.
O que veio depois do apito final foi caótico. Tomados pela raiva da eliminação, os jogadores e membros da comissão técnica egípcia perderam completamente o controle. O árbitro Letexier distribuiu cinco cartões amarelos para atletas do Egito nos acréscimos — Mohamed Attia, Hossam Fathy, Mostafa Shobeir, Haissem Hassan e um quinto jogador — além de expulsar com cartão vermelho direto o preparador físico Elsaghir, membro da comissão técnica. O Egito encerrou a partida com dez jogadores em campo. Com a virada, Messi chegou ao seu 21º gol em Copas do Mundo, consolidando ainda mais sua posição como artilheiro da história da seleção argentina no torneio. A Argentina aguarda agora o vencedor entre Suíça e Colômbia — que seria definido logo em seguida.
Suíça 0 x 0 Colômbia (4 a 3 nos pênaltis) — sonolência, travessão e drama
No BC Place Stadium, em Vancouver, o jogo entre Suíça e Colômbia foi a antítese do que aconteceu em Atlanta. Equilibrado, truncado e com poucas chances reais de gol nos 90 minutos, o duelo obrigou as duas equipes a decidirem na prorrogação — e depois nos pênaltis. A Suíça chegou ao jogo desfalcada de cinco jogadores, incluindo o atacante Johan Manzambi, seu principal destaque ofensivo no torneio, por lesão ou suspensão.
O primeiro tempo teve a Colômbia com maior volume ofensivo. Aos 20 minutos, Gustavo Puerta arriscou um chute colocado de fora da área que exigiu grande defesa do goleiro suíço Gregor Kobel. A Suíça respondeu com finalizações de Fabian Rieder e do ponta Dan Ndoye, ambas defendidas pelo goleiro colombiano Camilo Vargas. No segundo tempo, James Rodriguez tentou impor seu ritmo, mas a marcação suíça foi consistente o suficiente para apagar o camisa 10 da Copa. Na prorrogação, o momento mais dramático: o zagueiro Jhon Lucumí acertou uma cabeçada no travessão, chegando muito perto de colocar os colombianos em vantagem. O placar seguiu zerado.
Nos pênaltis, a Colômbia se sabotou. Davinson Sánchez foi o primeiro a cobrar e acertou o travessão. Em seguida, Manuel Akanji isolou para a Suíça — o único erro suíço na disputa. Na sequência, Cucho Hernández teve sua cobrança defendida por Kobel, sacramentando a eliminação colombiana. Pelo lado suíço, Granit Xhaka, Zeki Amdouni, Cedric Itten e Rubén Vargas converteram suas cobranças com precisão. Placar final: Suíça 4 a 3 nos pênaltis. Com a classificação, a Suíça volta às quartas de final pela primeira vez desde 1954 — 72 anos depois — e vai enfrentar a Argentina no próximo sábado (11), às 22h (horário de Brasília), no Arrowhead Stadium, em Kansas.
Análise Rápida
Os dois jogos desta terça resumem bem o caráter imprevisível desta Copa do Mundo. O Egito jogou um futebol competente, inteligente e chegou a dominar a Argentina campeã por longos períodos — mas perdeu para Messi nos acréscimos e ainda deu um espetáculo de indisciplina no fim que vai manchar o legado da campanha. Cinco cartões amarelos e uma expulsão de banco depois do apito dizem tudo sobre o estado emocional de uma seleção que viu o sonho escapar nos últimos minutos. Salah, mais uma vez, foi incapaz de carregar sozinho o peso de uma Copa — e a Copa seguiu sem nenhum time africano nas quartas de final. Já o confronto Suíça x Colômbia foi o tipo de jogo que os pênaltis acabam sendo a única coisa que as pessoas lembram — e a frieza suíça nas cobranças mostrou que há método por trás dessa equipe, mesmo desfalcada. O duelo contra a Argentina, agora confirmado, é o confronto mais apetitoso das quartas: Messi vs uma Suíça compacta, com Xhaka no meio e o velho Kobel entre os postes. Vai ser difícil para os suíços, mas certamente não vai ser fácil para a Argentina.
Fonte: CNN Brasil / Gazeta Esportiva / Correio Braziliense / ND Mais / Diário do Grande ABC
