CNJ intervém após decisão do TJMG que absolveu homem de 35 anos por estupro de menina de 12

A Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) determinou a abertura de um Pedido de Providências para investigar uma decisão que gerou revolta em todo o país. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) absolveu um homem de 35 anos da acusação de estupro de vulnerável contra uma menina de apenas 12 anos.

O ministro Mauro Campbell Marques determinou que o tribunal mineiro e o desembargador responsável pela decisão, Magid Nauef Láuar, prestem esclarecimentos formais no prazo máximo de cinco dias. O procedimento tramita sob sigilo.

A Decisão e a Justificativa

O caso ocorreu em Indianópolis, no Triângulo Mineiro. Em novembro de 2025, o homem havia sido condenado em primeira instância a nove anos e quatro meses de prisão. No entanto, ao analisar o recurso na 9ª Câmara Criminal do TJMG, o relator Magid Nauef Láuar derrubou a condenação.

A justificativa do desembargador causou indignação: ele argumentou que o réu e a criança tinham um "vínculo afetivo consensual" e viviam uma relação "análoga ao matrimônio", com a permissão da mãe da vítima. O voto foi acompanhado pelo desembargador Walner Barbosa Milward de Azevedo, formando maioria pela absolvição do homem e da mãe da menina (que havia sido denunciada por omissão). A desembargadora Kárin Emmerich foi a única a votar contra.

O suspeito, que já possuía passagens pela polícia por crimes graves como homicídio e tráfico de drogas, foi solto no dia 13 de fevereiro de 2026.

O que diz a Lei Brasileira

A decisão do TJMG vai na contramão direta do Código Penal e da jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A lei brasileira é clara: ter conjunção carnal ou praticar atos libidinosos com menores de 14 anos configura estupro de vulnerável.

O STJ estabelece a presunção absoluta de vulnerabilidade. Isso significa que o consentimento da vítima, a existência de um relacionamento amoroso prévio ou a permissão dos pais não anulam o crime. Uma criança não tem capacidade legal ou psicológica para consentir com atos sexuais.

Repercussão Nacional e Política

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) informou que já está preparando os recursos cabíveis para reverter a absolvição, reforçando que o consentimento familiar não pode se sobrepor à proteção da infância.

A gravidade do caso uniu políticos de diferentes espectros ideológicos. Parlamentares como Nikolas Ferreira (PL), Erika Hilton (PSOL) e Duda Salabert (PDT) vieram a público repudiar a decisão, apontando que a Justiça não pode normalizar a pedofilia sob o disfarce de "formação de família".

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) também emitiu nota oficial, repudiando a relativização da violência sexual e condenando o "casamento infantil", lembrando que o Estado tem o dever de proteger a criança quando a própria família falha nessa missão.

Fonte: Aline Freitas, Márcio Falcão, Rafaela Mansur / g1 Minas

Vicente Neto

Sou redator de notícias, estudante de Sistemas de Informação na UFC e apaixonado por tecnologia e cultura geek. Desde os 15 anos, quando assisti ao meu primeiro anime (Sword Art Online), mergulhei no universo dos animes, mangás e games. Além de programar, também me aventuro como designer gráfico e editor de vídeos nas horas vagas. facebook instagram x-twitter linkedin

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