Olhos de Águia: Fãs flagram uso de Inteligência Artificial no anime 'Cosmic Princess Kaguya!' e dividem a internet

Se tem uma coisa que a comunidade otaku escrutina com lupa hoje em dia, é o uso de Inteligência Artificial. O filme Cosmic Princess Kaguya!, uma reinvenção sci-fi do clássico conto japonês que chegou à Netflix no último dia 22 de janeiro, acabou de entrar na linha de tiro.

O que parecia ser um lançamento tranquilo para o Studio Colorido e o Studio Chromato, rapidamente se transformou em uma polêmica viral nas redes sociais por culpa de alguns poucos pixels de fundo.

Um Tweet e Três Milhões de Views

Todo o problema se resume a uma cena de meros dois segundos. Durante o filme, um personagem aparece fazendo scroll (rolando a tela) em seu celular dentro de uma rede social fictícia.

Um usuário do X (antigo Twitter) pausou a imagem e notou que as diminutas fotos de perfil da interface tinham o inconfundível aspecto da IA generativa: rostos assimétricos, traços borrados e aqueles clássicos erros que os algoritmos cometem ao gerar feições humanas. A acusação correu como pólvora, e embora os estúdios de animação tenham mantido um silêncio sepulcral sobre o caso, as capturas de tela falam por si.

A Comunidade Defende o "Atalho"

O curioso dessa "funa" (cancelamento) é que ela não conseguiu unificar a internet contra o filme. Pelo contrário, grande parte do público saiu em defesa da decisão dos animadores com argumentos bastante sólidos.

Por um lado, muitos apontam a hipocrisia de exigir fundos e ícones desenhados à mão para uma cena de dois segundos, sabendo que a indústria de animes sofre de uma cultura de exploração de trabalho (crunch) extrema. Usar IA para agilizar um trabalho irrelevante parece, para muitos, o passo mais lógico para salvar a saúde mental e física da equipe (staff).

O outro argumento a favor é de uma ironia moderna fantástica: se a cena busca retratar uma rede social contemporânea, enchê-la de avatares gerados por IA é, tragicamente, a representação mais fiel e realista da internet em 2026.

Análise Rápida

A caça às bruxas contra a Inteligência Artificial na arte é compreensível, mas precisa de nuances. A indústria de animes está à beira de um colapso por excesso de produção e falta de animadores. Se a IA for usada para substituir o trabalho criativo principal (como roteiro, key animation ou direção de arte), o boicote é mais do que justo.

No entanto, usar a ferramenta para gerar avatares borrados de 50 pixels que vão aparecer por dois segundos no fundo de uma tela de celular não é "roubo de arte", é sobrevivência. O fato de grande parte do fandom ter defendido o estúdio mostra que o público está cada vez mais consciente (e preocupado) com as condições desumanas de trabalho no Japão. Às vezes, um atalho tecnológico é apenas um respiro para quem está virando noites desenhando.

Serviço / Ficha Técnica

  • O que: Uso de IA em assets de fundo (avatares).
  • Obra: Cosmic Princess Kaguya! (Filme).
  • Estúdios: Studio Colorido e Studio Chromato.
  • Onde Assistir: Netflix (Lançado em 22 de janeiro de 2026).
  • Status: Debate em andamento nas redes sociais.

Fonte: X (Twitter)

Vicente Neto

Sou redator de notícias, estudante de Sistemas de Informação na UFC e apaixonado por tecnologia e cultura geek. Desde os 15 anos, quando assisti ao meu primeiro anime (Sword Art Online), mergulhei no universo dos animes, mangás e games. Além de programar, também me aventuro como designer gráfico e editor de vídeos nas horas vagas. facebook instagram x-twitter linkedin

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