A tensão diplomática entre o governo japonês e a Casa Branca atingiu um novo patamar, e o motivo é a proteção da propriedade intelectual do país asiático. O governo do Japão criticou formalmente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a publicação de um vídeo gerado por inteligência artificial em que ele aparece utilizando elementos visuais e poses icônicas do anime Naruto.
A ação oficial foi motivada pelo uso não autorizado de patrimônios culturais nipônicos para fins de propaganda política.
O estopim com Naruto e a resposta oficial
No último sábado, Trump compartilhou em sua rede social, Truth Social, um vídeo no qual seu rosto e vestimentas replicam as do protagonista de Naruto, incluindo o clássico gesto de mãos da franquia. A postagem gerou revolta imediata nos fãs e uma resposta severa do gabinete japonês.
A ministra de Segurança Econômica do Japão, Kimi Onoda, alertou em coletiva de imprensa na sexta-feira que o uso inapropiado e não autorizado de imagens protegidas prejudica os detentores dos direitos e danifica a reputação das obras. O posicionamento oficial já foi comunicado de forma direta aos Estados Unidos, prometendo medidas firmes para garantir os direitos autorais dos criadores.
Histórico de polêmicas com a Casa Branca
Este caso com Naruto não é um evento isolado. O Ministério de Asuntos Exteriores do Japão já havia formalizado uma queixa junto à Embaixada dos EUA em Tóquio no início deste ano. A administração de Trump já utilizou materiais de outras grandes propriedades, como Dragon Ball, Yu-Gi-Oh! e Pokémon.
Em março, a indignação escalou quando a conta oficial da Casa Branca usou trechos de animes em um vídeo no TikTok para celebrar ataques aéreos norte-americanos contra o Irã. Empresas como a Pokémon Company International e os detentores de Yu-Gi-Oh! emitiram comunicados públicos repudiando o uso político de suas marcas e reforçando que nenhuma das partes deu autorização para tais fins.
Anime como interesse de segurança nacional
Para o Japão, o anime não é apenas entretenimento, mas sim um tesouro cultural e base de sua identidade. A primeira-ministra Sane Takaichi declarou em dezembro que as produções culturais são um componente vital do "poder diplomático" do país.
O sentimento é compartilhado pela população civil. Uma petição pública organizada em Tóquio pela cidadã Nana Suzuki já arrecadou mais de 24 mil assinaturas exigindo defesas governamentais mais energéticas contra o uso do anime para instigar conflitos militares e políticos no Ocidente. Até o momento, a Casa Branca, o Departamento de Estado norte-americano, o Studio Pierrot e a Bandai Namco não responderam aos pedidos de comentário.
Fonte: AnimoSugoi


