O anúncio de uma adaptação em anime deveria ser o momento mais feliz na carreira de um artista, mas para a obra Mii-chan and Yamada-san (escrita por Nene Azuki), o salto para as telas se transformou em uma tempestade perfeita de controvérsias. Nos últimos dias, a franquia se tornou o epicentro de dois grandes escândalos simultâneos que estão incendiando a internet: ataques invasivos à vida pessoal da autora e um pesado debate ético sobre os limites da liberdade de expressão na animação japonesa.
A vida pessoal de Nene Azuki sob ataque
Com o aumento exponencial da popularidade da obra, pessoas mal-intencionadas começaram a espalhar falsas teorias sobre o passado da criadora. Como a história do mangá acompanha jovens trabalhando em uma casa noturna em Shinjuku no ano de 2012, rumores afirmavam que Nene Azuki baseou a obra em sua própria vida, acusando a autora de ter sido uma hostess (anfitriã de clubes noturnos), de prestar serviços de encontros pagos e até de recrutar garotas para a indústria do entretenimento adulto.
Para piorar, tentaram ligá-la a uma conta polêmica nas redes sociais chamada "Diana". Cansada da difamação, Azuki emitiu um comunicado oficial negando todas as acusações. Ela esclareceu que a sua única ligação com a conta "Diana" era profissional, prestando serviços de comissão de ilustrações estritamente roteirizadas por terceiros até fevereiro de 2024. A autora cravou que a história do mangá é pura ficção e não reflete o seu passado pessoal.
O boicote ao anime e a defesa da equipe de produção
Enquanto a autora tenta limpar o seu nome, o projeto do anime (anunciado para 2027) enfrenta o seu próprio inferno. A personagem central, Mii-chan, é uma hostess com deficiência intelectual que tem dificuldades para ler e frequentemente se torna alvo de ridicularização no distrito da vida noturna de Tóquio.
A premissa gerou uma onda massiva de críticas no Japão. A veterana animadora e criadora de jogos Terumi Nishii foi uma das vozes mais ferozes contra o anime, afirmando que a obra se esconde atrás da "liberdade de expressão" para criar um show de horrores que incentiva a discriminação e o bullying contra pessoas com deficiência.
Em resposta ao crescente boicote, a equipe de produção do anime emitiu um comunicado oficial. Eles afirmaram que decidiram seguir em frente com a adaptação porque acreditam no valor da obra original. Para evitar reforçar estereótipos prejudiciais, o estúdio garantiu que a produção será feita com cautela, com a ajuda de especialistas da área de saúde e inclusão, além de implementar avisos de conteúdo e restrições de faixa etária apropriadas.
Fonte: Redação Mundo dos Otakus / Kudasai & BlackAshes
