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O poder dos 'Kidults': Como os adultos se tornaram os maiores consumidores do mercado de brinquedos

Em fevereiro de 2026, a indústria do entretenimento consolidou uma mudança drástica de público-alvo: os adultos se tornaram os maiores protagonistas do mercado global de brinquedos. Impulsionados pela nostalgia e por um maior poder aquisitivo, os chamados "kidults" (adultos que compram brinquedos para si mesmos) transformaram o que antes era uma brincadeira infantil em um segmento bilionário de lifestyle e colecionismo.

Historicamente, o mercado de brinquedos sobrevivia de picos de vendas associados ao público infantil, concentrados fortemente em datas sazonais como o Natal. Hoje, o consumo adulto é contínuo e frequentemente retroalimentado pelas redes sociais e pelo retorno de franquias clássicas em plataformas de streaming como a Netflix e o Disney+.

O Brasil acima da média global

O fenômeno tem uma força impressionante no mercado nacional. Uma pesquisa apresentada na feira ABRIN 2024 revelou que 76% dos adultos brasileiros (entre 18 e 65 anos) se identificam como potenciais consumidores do segmento "kidult". Esse número supera com folga a média global da indústria, que atualmente é de 67%.

Segundo dados da consultoria Circana, a participação dos consumidores maiores de 18 anos nas compras do setor nos cinco maiores mercados da Europa mais do que dobrou na última década. Com a queda global nas taxas de natalidade, o foco das empresas precisou migrar para esse público mais maduro, garantindo assim um crescimento de 7% nas vendas globais de brinquedos no último ano.

Caixas surpresa e colaborações de luxo

Para agradar aos fãs mais velhos, que buscam recompensa e prazer imediato, o mercado apostou em exclusividade e gamificação. Marcas consagradas passaram a criar parcerias de posicionamento premium, como a união da Hot Wheels com a grife Gucci e a Fórmula 1. Além disso, itens de valor altíssimo, como a Estrela da Morte da marca Lego — que chega a custar US$ 1.000 —, provam o alto limite de gastos desse público.

Outra grande febre comercial são as "blind boxes" (caixas surpresa), popularizadas mundialmente por empresas asiáticas como a Pop Mart. O consumidor não sabe qual figura virá na caixa, o que gera uma experiência viciante de repetição de compra e domina a internet através de vídeos virais de unboxing. Jogos de tabuleiro modernos também acompanham essa expansão, atraindo novos públicos e jovens adultos.

Análise Rápida

O estigma de "imaturidade" associado ao consumo geek e otaku foi completamente sepultado pela economia. A ascensão dos kidults prova que colecionar action figures, investir em jogos de tabuleiro ou consumir blind boxes não é uma regressão infantil, mas sim a redefinição de como o adulto moderno gasta a sua renda para encontrar diversão e identidade. As fabricantes orientais de animes já sabiam disso e lucram fortunas com estátuas de luxo. O que assistimos agora é a indústria tradicional do ocidente mudando a sua comunicação para capturar diretamente o consumidor que tem o próprio cartão de crédito na mão.

Fonte: Redação Mundo dos Otakus / Times Brasil

Vicente Neto

Sou redator de notícias, estudante de Sistemas de Informação na UFC e apaixonado por tecnologia e cultura geek. Desde os 15 anos, quando assisti ao meu primeiro anime (Sword Art Online), mergulhei no universo dos animes, mangás e games. Além de programar, também me aventuro como designer gráfico e editor de vídeos nas horas vagas. facebook instagram x-twitter linkedin

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