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BTS na final da Copa do Mundo: como o grupo voltou do serviço militar para o maior palco do planeta

Amanhã, domingo (19), quando Argentina e Espanha disputarem o título da Copa do Mundo 2026 no MetLife Stadium, em Nova Jersey, o mundo não vai parar apenas para ver o futebol. No intervalo da partida — marcada para as 16h (horário de Brasília) — acontecerá o primeiro halftime show da história de uma final de Copa do Mundo. E no centro desse espetáculo estará o BTS, o grupo sul-coreano que saiu do serviço militar obrigatório, lançou um álbum que dominou as paradas mundiais e agora vai se apresentar para uma audiência de bilhões de pessoas ao mesmo tempo.

O retorno que o mundo esperava

Para entender o peso desse momento, é preciso voltar um pouco. Entre 2022 e 2025, o BTS viveu um hiato que nenhum fã queria, mas que era inevitável: os sete membros do grupo — RM, Jin, Suga, J-Hope, Jimin, V e Jungkook — cumpriram individualmente o serviço militar obrigatório exigido pela legislação sul-coreana. Por quase três anos, o grupo que havia se tornado o maior fenômeno da música pop global ficou em silêncio.

O retorno veio em 20 de março de 2026, com o lançamento do sexto álbum de estúdio: "ARIRANG". O título é uma referência direta à canção folclórica coreana mais famosa do mundo — um gesto carregado de significado sobre identidade, resistência e pertencimento. O álbum estreou em primeiro lugar na Billboard 200 e permaneceu no topo por três semanas consecutivas, o primeiro multi-week número 1 do grupo no principal chart americano. Os singles "SWIM" e "Come Over" se tornaram os maiores hits da nova fase.

Na sequência veio a ARIRANG World Tour, iniciada em 9 de abril no Goyang Stadium, na Coreia do Sul, com mais de 80 apresentações confirmadas em mais de 30 cidades ao redor do mundo, com datas programadas até março de 2027. O BTS passou pelos Estados Unidos a partir de 25 de abril e esteve no Stade de France, em Paris, nos dias 17 e 18 de julho — ou seja, os dois dias imediatamente anteriores à final da Copa do Mundo. Do palco de Paris para o palco mais assistido da história do esporte em menos de 24 horas.

O que o BTS pode cantar no halftime show

O setlist oficial do BTS para o halftime show ainda não foi confirmado pela FIFA ou pela HYBE. Mas com base no repertório da ARIRANG World Tour — que inclui 23 músicas por apresentação, com duas delas sendo surpresas —, os especialistas e a própria comunidade ARMY especulam o que deve soar no MetLife Stadium.

As apostas mais fortes são em "SWIM", o single mais tocado do álbum ARIRANG e que já se consolidou como um hino da nova fase do grupo, e "Come Over", outro destaque do disco. Para os clássicos — essenciais em um palco com espectadores que vão muito além dos fãs declarados —, as músicas com maior probabilidade de aparecer são "Dynamite", "Butter", "Permission to Dance" e "Boy With Luv", que juntas representam o pico do fenômeno global do grupo entre 2019 e 2021. Com apenas 11 minutos de show, o BTS provavelmente vai precisar escolher entre presentear os novos ouvintes com o que é universal ou emocionar a ARMY com o que é icônico — e talvez tente fazer os dois ao mesmo tempo.

Os outros artistas do halftime show

O BTS divide o palco com uma lineup que, sozinha, já justificaria parar tudo. Madonna, que headlinou o Super Bowl de 2012, e Shakira, que co-headlinou o Super Bowl de 2020 com Jennifer Lopez e que também assinou a música oficial desta Copa, "Dai Dai", com Burna Boy, completam o trio principal. Justin Bieber e o próprio Burna Boy foram confirmados como artistas adicionais do espetáculo. O maestro venezuelano Gustavo Dudamel trará o componente sinfônico ao show, e o Coro PS 22 — formado por crianças de Staten Island, em Nova York — fará uma apresentação especial reforçando o propósito educacional do evento. Os personagens do Sesame Street e dos Muppets também estarão presentes.

Toda a produção tem curadoria de Chris Martin e Phil Harvey, do Coldplay, em parceria com a ONG Global Citizen, com o objetivo de arrecadar fundos para o FIFA Global Citizen Education Fund — iniciativa que visa levantar US$ 100 milhões para expandir o acesso à educação e ao futebol para crianças em mais de 200 países. O fundo já arrecadou mais de US$ 30 milhões durante o torneio, com US$ 1 de cada ingresso vendido sendo destinado à causa.

O contexto histórico: por que amanhã é diferente

A Copa do Mundo nunca havia tido um halftime show na sua final. O modelo foi inspirado diretamente no Super Bowl americano — e não por acaso: a FIFA escolheu o MetLife Stadium, casa dos New York Giants e New York Jets, como palco da decisão, o mesmo estádio que já recebeu o Super Bowl e que em 2025 sediou o halftime show da final da FIFA Club World Cup. Para o BTS, se apresentar nesse contexto — ao vivo para uma audiência que pode ultrapassar a casa do 1 bilhão de espectadores — é possivelmente o maior palco que qualquer artista de K-Pop já pisou em toda a história do gênero.

O show começa durante o intervalo da final, com previsão para as 16h50 (horário de Brasília). No Brasil, a partida e o espetáculo podem ser acompanhados através das transmissões disponíveis para a Copa do Mundo 2026.

Análise Rápida

Há algo profundamente poético em ver o BTS chegar à final da Copa do Mundo pelo caminho que chegou. O grupo que precisou pausar tudo por uma lei — e que, em vez de desaparecer, voltou mais forte com um álbum que desbancou todo o mercado — agora vai se apresentar no show com a maior audiência simultânea da história do entretenimento. Para a ARMY, isso é o fechamento de um ciclo que começou com despedidas individuais nos quartéis e termina com os sete juntos no palco mais importante do mundo. Para o K-Pop como gênero, é a confirmação de que o que nasceu nas ruas de Seul chegou definitivamente ao centro do universo cultural global. E para quem vai assistir à final amanhã sem saber muito sobre o BTS — espere. Onze minutos podem mudar muita coisa.

Fonte: Redação Mundo dos Otakus / Billboard / CNN / Time / FIFA / Global Citizen / Redgol / TV Azteca / The Honey POP

Vicente Neto

Sou redator de notícias, estudante de Sistemas de Informação na UFC e apaixonado por tecnologia e cultura geek. Desde os 15 anos, quando assisti ao meu primeiro anime (Sword Art Online), mergulhei no universo dos animes, mangás e games. Além de programar, também me aventuro como designer gráfico e editor de vídeos nas horas vagas. facebook instagram x-twitter linkedin

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