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| Creditos: Lars Baron / Equipe |
A história de Cristiano Ronaldo em Copas do Mundo chegou ao fim da forma mais cruel possível. Nesta segunda-feira (6), no AT&T Stadium, em Dallas, a Espanha eliminou Portugal por 1 a 0 nas oitavas de final da Copa do Mundo 2026 com um gol de Mikel Merino nos acréscimos do segundo tempo. Aos 41 anos, CR7 se despede do maior torneio do futebol mundial sem o único título que escapou de sua coleção — a taça da Copa do Mundo.
O lance decisivo aconteceu quando o jogo já caminhava para a prorrogação. Ferran Torres girou sobre a marcação na entrada da área e encontrou Merino livre dentro do campo adversário. O meia tocou na saída do goleiro Diogo Costa e decretou o fim de uma era. Seis participações, quase duas décadas vestindo a camisa portuguesa, e uma eliminação idêntica à de 2010 — quando a Espanha também venceu Portugal por 1 a 0 nas oitavas, exatamente com o mesmo placar, na África do Sul.
Durante os 90 minutos, Cristiano Ronaldo teve suas oportunidades. Aos 12 minutos, encheu o pé e viu o goleiro Unai Simón fazer a defesa. Aos 37, recebeu de João Félix após um cruzamento preciso de Bruno Fernandes e finalizou de primeira — sem força, facilitando o trabalho do arqueiro espanhol. Portugal reclamou de um possível pênalti em cima de CR7, mas o árbitro não marcou. Ao fim, o camisa 7 saiu de campo sem marcar, encerrando sua última Copa da mesma forma discreta que a Espanha o derrotou: de maneira fria e nos detalhes.
Uma carreira de recordes em seis Mundiais
Poucos atletas na história do futebol construíram uma relação tão longa e tão marcada com a Copa do Mundo. Cristiano Ronaldo disputou seis edições consecutivas — de 2006 a 2026 — e encerrou sua jornada com 11 gols em 27 partidas, tornando-se o maior artilheiro de Portugal na história do torneio, superando a marca de Eusébio, que havia anotado nove.
Nesta edição de 2026, CR7 fez história pela última vez: ao marcar dois gols contra o Uzbequistão na fase de grupos, tornou-se o único jogador do mundo a balançar as redes em seis Copas diferentes — 2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026. Antes disso, dividia o recorde em cinco edições com seu eterno rival Lionel Messi. O mesmo Messi que hoje lidera a artilharia histórica do torneio com 18 gols — número que Ronaldo nunca alcançou.
Também nesta Copa, Ronaldo marcou finalmente seu primeiro gol em mata-matas, contra a Croácia nas oitavas de 16. Uma curiosidade que perseguiu sua carreira por anos: em todas as edições anteriores, CR7 havia ficado sem marcar nas fases eliminatórias.
A trajetória de uma lenda em cada Copa
Em 2006, na Alemanha, com apenas 21 anos, Ronaldo ajudou Portugal a alcançar a semifinal — a melhor campanha do país em décadas. A derrota para a França por 1 a 0 encerrou o sonho, mas já mostrava ao mundo que um fenômeno havia chegado. Em 2010, na África do Sul, Portugal caiu justamente para a Espanha nas oitavas, por 1 a 0 — o mesmo placar desta segunda-feira. Em 2014, no Brasil, a seleção não passou da fase de grupos. Em 2018, na Rússia, Ronaldo fez um hat-trick histórico contra a própria Espanha — com um golaço de falta no empate por 3 a 3 — e saiu da competição nas oitavas, diante do Uruguai. Em 2022, no Catar, foi rebaixado ao banco de reservas pelo técnico Fernando Santos em um momento constrangedor de sua carreira, e Portugal parou nas quartas contra o Marrocos.
Agora, em 2026, a última dança. E o roteiro foi amargo.
O único troféu que nunca veio
Com 36 títulos ao longo da carreira entre clubes e seleção, Cristiano Ronaldo é dono de um currículo praticamente sem lacunas. Cinco Bolas de Ouro, cinco Champions Leagues, títulos na Premier League, La Liga, Serie A, a Euro 2016 e a Nations League com Portugal. É o maior artilheiro masculino da história das seleções, com 143 gols em 228 partidas. Mas a Copa do Mundo — o único troféu que faltava — seguirá para sempre ausente de sua estante.
Aos 41 anos, com o corpo ainda competitivo o suficiente para marcar em seis edições do maior torneio do planeta, Cristiano Ronaldo encerra sua história em Mundiais da mesma forma que a começou: com Portugal fora antes da hora e com a sensação de que o destino nunca foi generoso o suficiente com o maior jogador que o país já produziu.
Análise Rápida
É quase impossível avaliar a carreira de Cristiano Ronaldo em Copas do Mundo sem uma pontada de melancolia. Ele fez tudo que estava ao seu alcance — marcou em seis edições, quebrou recordes históricos, carregou Portugal nas costas por quase vinte anos — e ainda assim o troféu mais cobiçado do futebol nunca chegou. O futebol, às vezes, não recompensa com justiça. Messi levantou sua Copa em 2022. Ronaldo não terá essa chance. O que fica, porém, é um legado que nenhum placar pode apagar: o garoto de 21 anos que estreou em 2006 chutando forte contra o Irã se despede como o único ser humano a marcar em seis edições diferentes de uma Copa do Mundo. Isso é para sempre.
Fonte: Redação Mundo dos Otakus / CNN Brasil / Lance / SOL / Midiamax / FIFA
