Mal se passaram dias desde que a sua estreia foi anunciada para 2027 e uma parte considerável da internet já está "exigindo a sua cabeça". A equipe de produção do anime Mii-chan to Yamada-san viu a expectativa inicial se transformar rapidamente em uma brutal onda de cancelamento (funa), com milhares de internautas assinando e compartilhando petições para barrar a série em definitivo, acusando o projeto de lucrar descaradamente com temas extremamente delicados.
A premissa controversa da obra
Para entender o nível de indignação que explodiu nas redes sociais, é preciso olhar de perto para a trama original criada por Nene Azuki. A história nos leva ao obscuro distrito de Kabukicho e acompanha Mii-chan, uma garota que demonstra claros traços de deficiência intelectual e social.
O fator que mais enfureceu os críticos é que a jovem, desenhada com um estilo incrivelmente fofo e inocente, acaba sendo arrastada para o mundo cruel do trabalho sexual, sofrendo um final violento e trágico. Os detratores argumentam que misturar uma arte adorável com tamanha miséria humana banaliza problemas graves da vida real, transformando tudo em puro entretenimento mórbido e comercial para a comunidade otaku.
O momento do anúncio e a reação do público
A campanha de arrecadação de assinaturas não poupa palavras para tentar derrubar o projeto. Os organizadores do boicote afirmam que o simples nome "Mii-chan" já está sendo usado como um insulto denegridente em alguns fóruns japoneses, e temem que a massificação trazida pelo anime acabe piorando ainda mais os preconceitos reais.
Somado a isso, o estúdio foi duramente criticado por sua suposta insensibilidade ao fazer o anúncio em datas tão próximas ao triste aniversário de 10 anos de um infame massacre ocorrido no Japão, que tirou a vida de diversas pessoas com deficiência. Até o momento, os produtores mantêm um silêncio absoluto diante das exigências que pedem o cancelamento da animação ou a reescrita completa da história para suavizar o seu impacto.
Vale ressaltar que o mangá original vendeu mais de dois milhões de cópias justamente por causa da sua narrativa crua, e será finalizado em setembro deste ano com o seu sétimo volume.
Fonte: Kudasai

