Há trinta anos, a franquia Resident Evil inaugurava o gênero survival horror. Hoje, a série mais vendida da história da Capcom tenta provar que ainda sabe como aterrorizar os jogadores sem perder o fôlego.
Lançado globalmente nesta sexta-feira (27), Resident Evil Requiem chega com a dura missão de equilibrar o terror raiz com a ação frenética — um dilema histórico que sempre dividiu a base de fãs da franquia.
O Equilíbrio entre Medo e Ação
O diretor do jogo, Koshi Nakanishi (o mesmo do aclamado RE7), revelou em entrevista que encontrar o ponto exato entre "familiaridade e inovação" foi o maior desafio do projeto. A ideia central era redefinir o survival horror de maneiras interessantes, mas respeitando o DNA da série.
Após o foco excessivo em combates cinematográficos de Resident Evil 6 (2012), parte da comunidade ficou com o pé atrás ao saber que Requiem misturaria ação e terror. Porém, o produtor Masato Kumazawa garantiu que a espinha dorsal do novo jogo continua sendo o medo. "O medo é uma emoção muito humana. Através do entretenimento, usamos o medo como uma emoção positiva e emocionante", explicou o executivo.
Leon Veterano e a Novata Grace
Para justificar a divisão de estilos de jogabilidade, o título aposta em dois protagonistas distintos. De um lado, temos o retorno triunfal de um Leon S. Kennedy mais velho e experiente. O veterano revisitará cenários clássicos e nostálgicos, como a delegacia de Raccoon City (RPD), em trechos focados na ação e no tiroteio que os fãs tanto gostam.
Do outro lado, o terror puro fica nas mãos da novata Grace Ashcroft, uma analista do FBI que não possui o mesmo treinamento tático de Leon para bater de frente com monstros. Segundo Nakanishi, a campanha de Grace foi desenhada para entregar uma tensão asfixiante, baseada na vulnerabilidade e na clássica gestão de recursos.
O Veredito dos Fãs Brasileiros
A criadora de conteúdo brasileira Monique Alves, fundadora do renomado site e canal Resident Evil Database, teve a chance de testar três horas do jogo antecipadamente a convite da empresa. Ela confessou que havia um temor inicial na comunidade de que o jogo repetisse a confusão de gêneros de RE6.
No entanto, a brasileira tranquilizou a comunidade:
"Resident Evil 6 é um produto de sua época. No Requiem, as raízes do Leon e da Grace parecem estar muito bem combinadas. Acho que estamos seguros nesse aspecto", afirmou Monique à reportagem.
Análise
A franquia Resident Evil sempre viveu uma crise de identidade entre querer assustar o jogador e querer dar a ele um arsenal militar para explodir zumbis com golpes de artes marciais. A sacada da Capcom com Requiem é brilhante: em vez de forçar um único personagem a fazer as duas coisas de forma bizarra, eles dividiram a experiência.
Quem quer tensão absurda, escassez de munição e aquele desespero clássico, joga com a Grace. Quem quer dar tiro, distribuir chutes giratórios e reviver a glória dos tempos de glória do RE4, foca no Leon grisalho. A crítica já está elogiando essa dualidade e, se a execução da narrativa acompanhar o gameplay, Requiem tem tudo para ser o título definitivo do survival horror nesta geração de consoles.
Fonte: Laura Cress/BBC
